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15 de maio de 2010

Gouveia a Belo Horizonte a pé



Gouveia a Belo Horizonte a pé em uma semana

Saímos de Gouveia seguindo a Av. J. K. sentido sul, em direção a Cruz das Almas. Era 5:30 h. Ainda estava muito escuro.



O dia amanheceu um pouco depois da localidade dos Martins. Muitas poças d'água pelo caminho. Os primeiros dias de janeiro foram de muita chuva em Gouveia. Abrimos uma caixa de leite e fomos tomando pela estrada.



Passamos pelo Rio Cachoeira, que é o mesmo rio que passa pela Fábrica São Roberto.



A 10 km de Gouveia chegamos a um ponto mais elevado onde víamos a Serra de Santo Antonio e a do Salitre a nossa esquerda e as últimas imagens das ruas de Gouveia. Nesse pondo também fica o trevo que dá acesso as localidades de Pedro Pereira e Engenho da Bilía. Comemos algumas bananas e tomamos o resto do leite. Aproveitei para tratar uma bolha que já começava me incomodar.



Localidade de Engenho da Bilía
Chegamos ainda bem cedo no povoado de Engenho da Bilía, ultima localidade dentro dos domínios de Gouveia. Helder distribuía balas para a crianças.



Passamos pela Fazenda "Agrosol"e em seguida chegamos a estrada que liga Datas a Tombadouro. Aproveitamos para fazer a nossa primeira parada do dia junto a uma guarita do ponto de ônibus. O Helder da início suas anotações em seu Diário de Viagem.



Chegamos a Várzea do Basto. Paramos no Bar do Juscelino para reabastecer as garrafas d'agua. Nesse primeiro dia íamos encontrando pessoas conhecidas pois estávamos bem próximos a cidade de Gouveia. E que com frequência eles nos perguntavam: Isso é promessa ?
Logo a frente atravessamos o Córrego Andrequicé.



Passando por uma encosta de Serra viamos Costa Sena se aproximar bem a nossa frente e a direita o Rio Paraúna.


Localidade de Costa Sena
Chegamos em Costa Sena as 14:00 h. Passei na residência de um casal conhecido. A Mariinha nos ofereceu almoço e nos fez um café. O Helder era o nosso "Pero Vaz Caminha", atualizou seu diário de viagem.
Não passamos pela rua principal de Costa Sena. Avistamos ao longe o Largo da Matriz e algumas casas. Saindo da Casa de Mariinha atravessamos o Rio Paraúna e sem seguida a Rua dos Quartéis, indo em direção a localidade de Suzana.




Logo após a casa de Mariinha, enfrentamos sol muito forte e ainda faltavam 22 km pra chegar em Congonhas do Norte. Percebemos que havíamos perdido muito tempo em Costa Sena. Caminhamos por uma hora e meia sem parar. Num ponto mais elevado paramos pra fazer um alongamento e descansar um pouco.



No alto da serra a nossa esquerda formava-se uma grande tempestade com trovões e relâmpagos

Localidade de Suzana
Depois de ter percorrido até aqui 43 km, chegamos a localidade de Suzana onde fica também a torrefação de café "Tia Nica". De lá ainda podíamos avistar o Pico mais alto de Gouveia com seus 1543 metros de altura, era o Morro Redondo da Picada.
Coloquei uma proteção no dedo mindinho, uma bolha começava incomodar. Continuamos.



A tempestade continuava nos rondando agora estava bem a nossa frente . Faltavam 11 km pra chegar a Congonhas do Norte.


Congonhas do Norte-MG
Chegamos a Congonhas do Norte por volta de 21:00 h. Essa foi a maior distancia que caminhamos num só dia, foram 55 km, estávamos exaustos.
Sentíamos em casa pois aqui é a cidade natal do nosso amigo Helder. Seguimos direto para casa de sua avó Chiquita, lá se encontravam os pais do Helder também. A vó Chiquita nos serviu o jantar e fomos dormir.
No outro dia despedimos dos parentes do Helder e partimos. Já passava das 9:00 h. mas como nesse dia a distância seria 25 km, não nos preocupamos.
Terça feira, 11 de janeiro de 2005, seria o nosso segundo dia de caminhada. Apesar de termos feito um percurso muito longo no primeiro dia, sentíamos bem dispostos.


Localidade de Santa Cruz dos Alves
Logo após os primeiros 5 km chegamos a localidade dos Alves. Gravamos algumas imagens, reabastecemos as garrafas d'agua e o continuamos.
A estrada segue pelos cumes das montanhas ladeada por florestas. A vegetação em alguns pontos já tem características de Mata Atlântica.



Andar por trechos iguais a esse nos dá muita segurança, são muito habitados com pequenas propriedades.



Caminhar em estrada de com muita mata em nossa volta é muito agradável mas essa tranquilidade está com os dias contados pois esse trecho está sendo asfaltado.



Ouro Fino está localizado em uma várzea entre duas linhas de montanhas. Bem antes de chegar já avistávamos a Igreja na encosta da Serra. Por aqui pernoitam as cavalgadas vindas de Gouveia por ocasião da festa do Jubileu de Bom Jesus em Conceição do Mato Dentro.



Localidade de Ouro Fino-MG
A recepção em Ouro Fino foi ótima. Passamos no Bar do Ponto e encomendamos o jantar. O Joaquim mais a frente, proprietário de outro Bar, nos ofereceu sua casa que estava em construção onde dormimos. A noite, a nossa porta, adolescentes em férias dançavam forró. Ouvíamos também histórias do Geraldo Bochecha, aposentado da Mina de Morro Velho. As 23:00 h. fomos dormir.
Agradecemos e nos despedimos do Joaquim. Era quarta feira dia 12 de janeiro de 2005, 8:30 h. Iríamos caminhar distância de 25 km ideal para um dia de caminhada.





A Estrada segue pela mesma várzea onde fica localizado também Ouro Fino. Hoje chegaríamos bem cedo ao nosso objetivo, Conceição.



Passa por nós em sua kombi, Joaquim, o mesmo homem que nos abrigou em Ouro Fino, levava passageiros para a cidade. A senhora Socorro, nessa casa a esquerda da estrada, nos convida para tomar um café. Aproveitamos para encher as garrafas d'agua.



Trecho muito habitado de belas pastagens e terra fértil. Esse senhor na porteira muito simpático nos convida pra entrar e tomar um café. Não aceitamos mas logo ficamos pesarosos por não ter parado, afinal não é toda hora que pessoas nos convidam pra entrar.



Essa criação de Búfalos já é bem antiga nas proximidades de Conceição.


Conceição do Mato Dentro-MG
Por volta de 13 h avistamos Conceição. Quem chega por esse lado da cidade tem uma visão privilegiada.
Chegamos bem cedo. Por volta de 14 h fomos adentrando a cidade de Conceição do Mato Dentro. Fizemos uma ótima caminhada nesse dia. Foram 25 km em estrada de terra de Ouro Fino até aqui.



Chegando, seguimos direto para a Pousada Serra Velha. Ficamos muito bem instalados em um apartamento duplex. O Junior e Helder foram para a parte de cima, eu fiquei na parte de baixo.
No dia seguinte a intenção era sair as 6:30h. Mas como o café era servido a partir das 7:00h preferimos esperar. Tínhamos que sair bem alimentados pois, nos próximos dias, não iríamos encontrar muito conforto. Saímos da Pousada exatamente as 8:30 h.

Passamos no Supermercado da Cidade para comprar algumas bananas e partimos definitivamente. Era quinta feira, 13 de janeiro de 2005.



Aos poucos íamos deixando Conceição do Mato Dentro. A nossa intenção era aproveitar o dia ao máximo, caminhando a maior distancia possível e acampar no alto da serra.



Placas na saída de Conceição do Mato Dentro.
Hoje, iríamos completar o quarto dia de caminhada.



A seguir enfrentamos uma longa subida e logo após uma descida. Usamos pela primeira vez nossas capas de chuva. Ao atravessarmos o Rio Santo Antonio a chuva parou. Era pouco o movimento de carros nesse trecho de asfalto.



No final do segundo aclive, junto ao entroncamento para Três Barras, paramos nesse boteco. O proprietário de nome Sérgio, nos recebeu um pouco desconfiado. Encontramos leite longa vida, pedaços de frango e peixe frito na estufa de aparência não muito boa. Fizemos uma jacuda de leite e farinha. Cachorro e galinhas a nossa volta catavam migalhas. Descansamos por alguns minutos pois tínhamos enfrentar uma longa subida. A Grande Cordilheira do Espinhaço se aproximava. Pagamos R$ 12,50 e nos despedimos do Sérgio.




Na metade da subida do Espinhaço, encontramos algumas casas e um bar, já era 15:30h. Aproveitamos para tomar um refrigerante. Um senhor da região nos disse que a localidade é conhecida como Serra do Tomás.



Estávamos enfrentando a grande elevação do Espinhaço. Nesse momento avistávamos a grandes distancias. Eram as ultimas imagens que víamos de toda região de Conceição, Serro, Diamantina e Gouveia. Do outro lado da serra seria outro cenário.



A nossa idéia inicial era pernoitar sempre em pousadas, as barracas seria para um caso de emergência. A travessia do Espinhaço era a nossa principal preocupação. É um trecho demasiadamente longo para se fazer em um dia. Nessa época do ano acontecem muitas tempestades e acampar em campo aberto nessas condições não era aconselhável.
Chegamos ao final do dia num ponto mais elevado da serra e pouco habitado. Estávamos preocupados pois não avistamos nenhum abrigo e o tempo mudou rapidamente, ficando revolto e ameaçava chover. Avistei bem longe duas casas numa curva da estrada e numa delas percebi luzes acesas. Chegamos até a porteira e chamamos, logo apareceu um senhor dizendo que não podia nos receber porque ele era caseiro e não tinha autorização para isso. Indagamos a ele sobre a outra casa do outro lado da Estrada. Ele nos disse que poderíamos ir para lá pois o caseiro a abandonou e o proprietário se encontrava nos Estados Unidos. Partimos pra lá apressadamente pois a chuva ameaçava. Anoiteceu rapidamente e tivemos dificuldade para achar a casa no meio da escuridão. A cozinha estava aberta, a porta presa apenas por um prego. Tão logo entramos o vento aumentou e a chuva caiu forte. Tivemos muita sorte!
Encontramos lenha seca debaixo do fogão. Enquanto Helder preparava o Miojo eu e o Junior armávamos as barracas dentro da cozinha. O vento forte lá fora parecia que ia arrancar o telhado e fazia muito frio. Não foi uma noite confortável. Se não encontrássemos esse abrigo nem sei o que seria.
O dia amanheceu com muita névoa baixa mas não chovia. Comemos algumas bananas quase maduras com amendoim e agua, foi o nosso café. Juntamos nossas coisas e saímos depressa. Hoje, sexta feira, 14 de janeiro de 2005, quinto dia depois de nossa saída de Gouveia, teríamos que andar 29 km até a Pousada Chapéu do Sol na Serra do Cipó.




Seguimos um trecho lamacento em obras e relembrávamos as dificuldades que tivemos na noite anterior.
Estátua do Juquinha no alto da Serra do Cipó. O nevoeiro começou a dissipar nesse ponto. Ainda faltavam quinze km para chegar ao nosso objetivo nesse dia.



Do alto da Serra avistamos um pequeno atalho, seguindo por ele deparamos com um riacho. Aproveitamos para nos refrescar um pouco. O Junior colocou um curativo no dedo do pé.



Além da noite mal dormida, estávamos com fome e ainda cometi um erro básico de não ter levado uma sandália para aliviar os pés que incharam um pouco. Com o calor e a umidade, apareceram mais bolhas. Por um momento pensei que não suportaria mais. A cada parada, o recomeçar era muito sofrido. Doía o corpo inteiro.



Uma coisa que observamos foi que preservaram antigas pontes e fizeram novas ao lado. Essa estrada faz parte da historia, ligava a Região de Sabará a Diamantina.
Paramos mais uma vez no Córrego do Palácio. Foi um dos pontos mais críticos de toda nossa aventura. Helder reclamava do joelho. O que me encorajava, era o fato de que faltavam poucos quilômetros pra chegar na Pousada Chapéu do Sol no Cipó.




A paisagem aliviava um pouco nosso cansaço e a fome. A estrada seguia com trechos de terra e outros de asfalto mas com pouco movimento.


Pousada Chapéu do Sol
Depois de dois dias difíceis fazendo a travessia do Espinhaço, chegamos a Pousada Chapéu do Sol. Era sexta feira dia 14 de janeiro.Enquanto jantávamos, decidimos não caminhar no dia seguinte, estávamos muito cansados. Depois de um dedo de prosa com o Luiz Bião da Pousada, fomos dormir. O sábado foi um dia ideal para descanso, pancadas de chuva e sol ao mesmo tempo. Recuperamos bem as energias para reiniciar a caminhada no domingo.




O domingo prometia uma boa caminhada. O sábado de folga na Pousada Chapéu de Sol foi providencial. Estávamos descansados e bem alimentados. Acabamos de descer a Serra e a vista era deslumbrante. Avistamos o Balneário da Serra do Cipó "ACM" e várias Pousadas logo abaixo.


Localidade de Cardeal Mota
Logo nos primeiros 3 km chegamos a Cardeal Mota. Essa localidade fica bem ao pé da Serra e pertence a Santana do Riacho. Vive exclusivamente do turismo. Aproveitamos para fazer ligações.



Aproximando do Hotel Veraneio, usamos nossas Capas de Chuva pela segunda vez.



A Partir da Pousada Chapéu do Sol até esse ponto denominado João Congo, foram 12 km de caminhada. Viramos a esquerda e pegamos uma estrada de Terra. Antes disso pedimos informações no Bar e Restaurante Coqueiros. O Jairo, muito prestativo, desenhou um mapa bem detalhado da Região, sem o qual teríamos dificuldades pois seguiram-se várias bifurcações e encruzilhadas.



Nesse ponto cometemos um pequeno erro, mas uma familia que estava por ali nos informou o caminho para Jaboticatubas.
Aconteceu um fato interessante nesse trecho. Uma moradora da localidade insistia para que pegássemos carona. Na avaliação dela, fomos passar o final de semana da Serra do Cipó e ficamos sem dinheiro pra voltar. Como no momento não estávamos com paciência para explicar para ela o que estava acontecendo, ela corria atrás de nós aos gritos e insistia novamente. Foi muito divertido.



A caminhada nesse dia foi muito agradável. Chovia em pontos isolados. Muita gente aproveitando o final de semana nos sítios da região. Era domingo.



Logo após Cardeal Mota , a estrada de terra seguiu ao pé da Serra do Espinhaço até Jaboticatubas.




Já não havia sol. Ainda faltavam mais de 4 km pra chegar ao nosso destino.



No final do dia, já escurecendo, avistamos Jaboticabas. O motorista dessa Caminhonete nos ofereceu carona, não aceitamos. Agradecemos e explicando para ele os motivos da recusa e o veículo seguiu em frente.

Jaboticatubas-MG

Chegamos a Jatoticatuas. Já era noite. Como era domingo, tinha muitos jovens na praça principal e muito barulho, vários carros com sons bem alto. Não encontramos restaurante aberto. Fomos comer um sanduiche. Dormimos na Pousada da Bárbara.
Levantamos bem cedo na segunda feira dia 17. Passamos na Panificadora 5 Estrelas na Praça Principal para reforçar o café da manhã e comprar umas barras de cereal. E logo iniciamos o que seria o ultimo dia de nossa aventura.



Saímos de Jaboticatubas subindo a Av. Benedito Valadares, e em seguida a Praça Pe. Messias onde está a Matriz de de N.S. da Conceição. Em seguida pegamos a Rua Padre Pedro Passos que vai dar no asfalto da MG-20 para Santa Luzia.



Não estava em nossos planos caminhar pelo asfalto mas não tinha outra alternativa. Além do calor que o asfalto reflete o perigo é constante. Nessa reta encontramos um cachorro recém atropelado agonizando. Um caminhão ultrapassando, quase me atropela. O Junior Cebola logo da o ritmo e segue a frente.



Butecos não faltam nas proximidades do Rio Taquaraçu.



O Rio Taquaraçu faz a divisa entre as duas cidades. Nesse ponto começa Santa Luzia



Convento de Macaubas




















Estamos muito alegres pois hoje, segunda feira, 17 de janeiro de 2005 era o último dia de nossa caminhada e o oitavo dia após a saída de Gouveia. Paramos aqui para fazer uma balanço e já comemorava-mos o nosso feito, pois só faltavam 9 km.
As bolhas eram as únicas coisas que me incomodavam. O Helder reclamava muito do joelho. O Junior Cebola não reclamava de nada e sempre estava na dianteira.







O Convento Macaubas vai ficando pra traz.
Um dado histórico. Chica da Silva chegou a esse local no Século XVIII para visitar a suas filhas. Ela e o Contratador João Fernandes saíram de Diamantina passando por Gouveia, e próximo a Presidente Juscelino "Paraúna", um barco que navegava o Rio das Velhas os levou até a cidade de Sabará. O destino final do casal era a cidade de Mariana. Essa foi a viagem mais longa feita por Chica da Silva.



Não foi nada agradável caminhar pelo asfalto entre Jaboticatúbas e Santa Luzia. Logo após o convento de Macaúbas deparamos com esses cavalos bem numa curva. Encontramos também animais e pássaros atropelados.


Passamos agora por um caminho com várias mangueiras, mas segundo a regra do Ataúfo Alves, laranja madura na beira da estrada tá bichada ou tem marimbondo no pé. No caso aqui eram mangas.


O Centro de Santa Luzia vai se aproximando, do lado direito da estrada passamos por uma Hípica ou um Haras.

Começo a me imaginar comendo um feijão com arroz e bife. No dia anterior não comemos uma refeição completa, encontramos apenas sanduíches em Jaboticatubas.



Chegando em Santa Luzia, seguimos em direção ao Centro Histórico que fica em um ponto mais alto da cidade.

Santa Luzia é como todas as cidades históricas da região metalúrgica mineira. Cresceu desordenadamente com casas mal construídas nas encostas dos morros sem nenhuma preocupação urbanística. Passeios e ruas estreitas que dão exclusividade quase que absoluta para o transito de veículos.

Santa Luzia-MG

Chegando no Centro Histórico, esquecemos a má impressão inicial. Encontramos uma praça seguida de uma rua com algumas casas coloniais bem conservadas e a Igreja Matriz à esquerda com algumas reformas externas mas com o interior ainda bem preservado.


Carentes de um banho, tínhamos que enfrentar um ônibus urbano até a rodoviária para uma longa viagem de volta a Gouveia.

Na maioria das vezes nos ambientes menos requintados é que se encontra calor humano. Esse Sr. de Boné, proprietário do Bar e Restaurante Leblon no Centro Histórico de Santa Luzia, resolveu todos os nossos problemas. Enquanto a sua cozinheira preparava o nosso jantar que por sinal ficou uma delícia, ele nos cedeu seu chuveiro nos fundos do Bar, onde tomamos um ótimo banho e trocamos de roupa.

Considerações Finais

O que parecia ser uma tarefa simples quase não chegou ao fim. Pensava eu que, bastaria ter um bom preparo físico e tudo se resolveria, o que não é verdade. Detalhes como: escolha de um calçado confortável, um bom agasalho, caminhar mais nas madrugadas e manhãs evitando o sol forte do meio dia e evitar alimentos de difícil digestão durante a caminhada, deixando pra fazer uma alimentação mais completa no final de cada jornada. Acho que esses foram os nossos pontos fracos.

É tambén importante determinar os objetivos da aventura. Entendo que essa nossa primeira experiência se enquadra mais como um desafio físico. Caminhamos muita distância em pouco tempo, não sobrando tempo e disposição para interagir com os habitantes das localidades. Espero que nas próximas viagens vamos saber explorar as peculiaridades históricas e culturais ao longo do caminho.

FIM


30 comentários:

  1. Não fui...
    Muito interessante o seu Blog!
    Por aqui tô acompanhando bem de pertinho.
    Abraços e muitos caminhos...

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  2. O comentário que segue não trata da caminhda em si, mas de seu lugar de origem, onde tudo começou, Gouveia, e sua 'vontade' de ser um lugar atraente.

    Gouveia em Festa: romaria profana em solo sagrado
    "Eu gosto da festa quando não obriga os amigos, na manhã seguinte, a olharem-se envergonhados." (Ernest Thomas Sinton Walton)

    Enquanto correia o fim dos anos 80 e início dos anos 90 do século passado, os líderes comerciais e políticos gouveianos tomaram consciência, pelas indicações da população, de um fato curioso - isto é - a cidade havia basicamente desaparecido com suas manifestações 'míticas'. Ou seja, faltava ao nativo um evento que o colocasse na rua com alegria, que valorizasse sua particularidade local, enfim, que louvasse seus ídolos.
    Esse papel ficou restrito à Paróquia de Santo António, que com a Festa do Padroeiro e a de ‘Das Dores’, de certa forma, aglutinavam os moderadores, mas não era algo conforme as vizinhanças, vide, Curvelo, Diamantina, Datas, Tijucal, Congonhas. Cidades que produziram rituais quase que imperdíveis para seus nativos presentes e ausentes.

    Fato é que surgiu em Gouveia um curioso rito - 'as corridas de argolinha' - que no limiar dos anos 90, agitaram as mediações do Estádio Carlos Murilo. Foi nesse espaço, também, que o depósito representante da cerveja 'schincariol' da cidade promoveu uma histórica festa com várias atrações inéditas. Tal acontecimento figura ainda hoje na memória local como a 'festa da schincariol', pena que o depósito não durou muito, até pouco tempo se poderia ver o letreiro nas paredes do galpão, numa rua abaixo da ‘Rua Nossa Senhora das Dores’, isto é, próximo do antigo "Bar D'adim".

    Outro fato voltado para uma espécie de redescoberta da festa mítica gouveiana foi à aclamada 'Festa Agropecuária', situada no miolo dos anos-90. Essa não durou uma década, mas foi significativa para colocar Comunidade na rota das ‘deserções de massa-local’, nos segundos semestres de tais anos. Um dos produtores entusiastas dessa agitação em torno dos cavalos, bois, peões, e muita bebida foi o comerciante 'Ivanil Correia', congonhense infiltrado nessa praça, na ocasião, dono do 'Comercial Correia', situado na AV-JK. Com a evolução dessa solenidade de chapéus, os gouveianos passaram a crer que haviam re-encontrado sua ‘regozijo perdido’, se é que posso dizer dessa forma.

    Pois décadas antes, o afeto do goveiano, bem como sua vaidade eram sustentados pelo ‘cheiro do tempero’, ou a memorável ‘Festa do Alho’, que teria colocado a cidade da rota nacional. Logo, reencontrar os cavalos mais tarde, foi uma forma de relembrar esse tempo, notadamente, para os mais velhos, e, para juventude, uma maneira de se situar temporalmente, no calendário das ‘cerimônias profano-populares’.

    Parece-me que a "Festa é a loucura de muitos, para os ganhos de alguns", pois se nota que na medida em que os atores mudam, elas desaparecem, para a emergência de outras, numa continua descontinuidade.....

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  3. SAIR POR RUMO....
    Andar se tornou sinônimo de pobreza ao longo dos anos no século passado, especialmente, porque se firmava entre nós a cultura do 'alto-móvel'. Porém, com a crise da saúde apresentada, sobretudo, pelos 'obesos' norte americanos, caminhar tornou-se receita médica contra hipertensão arterial. Mas, concomitante a isso, gigantes como Guimarães Rosa, conhecedores da espiritualidade mineira, já havia dito que caminhar é, fundamentalmente, fazer travessias. Ou seja, vagar por aí é mais que tratar do corpo; é isso sim, mapear a alma. Campear os sentimentos humanos.
    Nas palavras do Mestre do Sertão: “A coisa não está nem na partida nem na chegada, mas na travessia.” Portanto, o que temos feito nessas caminhadas não é senão passear por nós mesmos, como quem anseia conhecer cada músculo do corpo, ouvindo seus sorrisos e gemidos, mas também, escutando as melodias da alma, que só podem ser percebidas distante dos ruídos-motores.
    Outro monstro da sabedoria letrada disse, parece-me, que caminhar é feito curso avançado de humanidades, é modo de conhecimento... senão de sapiência. 'A sabedoria não se transmite, é preciso que nós a descubramos fazendo uma caminhada que ninguém pode fazer em nosso lugar e que ninguém nos pode evitar, porque a sabedoria é uma maneira de ver as coisas’, ponderou Marcel Proust. Fica dito então, que o saber sobre si se dá na medida em que nossos olhos se lançam no horizonte dos nossos desejos nômades; e nossos pés dialogam com terras desconhecidas no rumo sul da geografia da nossa imaterialidade.

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  4. Caminhando,conversando, reclamando, sorrindo e adimirando...foi assim que com muito amor e dedicação q eu, Júnior César, vulgo Juninho Cebola, realizei essa caminha, junto com duas pessoas que com uma gentileza me deu de presente, uma forma de sair de uma alienação de um jovem que vivia um certo desespero de viver uma aventura...aventura essa que resultou em um desafio ao meu limte: CAMINHAR DE GOUVEIA A BH.

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  5. ‘cortês’!
    a palavra é sempre uma vias de várias mãos. Se partimos de Murungu, poderiamos sublinhar que nossa direção estática era "como se vê na Bahia - isto é - diz-se murungu que rima perfeitamente nas canções com "angu", voz africana, e no Rio de Janeiro, murundu, que dão como significação de um pequeno monte, por detrás do qual se acha o Tutu." Angu foi a janta em Ouro Fino, ou melhor, afável forma de aceitar os passantes. Pessoas com tranquilidade no riso e tempo para contar um 'causo': 'mire e veja' o lampejo de ouro na boca da noite do Espinhaço.

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  6. Gotejo”’’’!
    ‘Pingo-de-Bar’ é um substantivo forte na vida da mente do ‘estradero- real’, a garoa ácida do inverno sempre contemplou o uso de pinga como um mecanismo de tolerância da vida nos Alpes mineiros; que a partir do mês de maio gelada os pés, e em junho o nariz. Logo .... ‘pinga no peito’. Por isso, uma forma de ver Minas é focar suas portas de boteco. O “Bar do Gordo”, por acaso, é um lugar no qual “a sede ensina a beber a todos os animais, mas a embriaguez só pertence aos humanos." Assim, o humanismo reina nas cerimônias balconiais dos caminhos reais. Aqui, nos arredores de Jaboticatubas: terra das ‘Bárbaras’ e de sapos gigantes de verão, a vida da bebida deve ser vertida.

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  7. MANGUEIRA REDESCOBRE A ESTRADA REAL... E DESTE ELDORADO FAZ SEU CARNAVAL

    EU VOU EMBARCAR...
    NA ESTAÇÃO PRIMEIRA,
    TESOURO DO SAMBA, MINHA PAIXÃO,
    EH, TREM BÃO!

    MANGUEIRA,
    UM BRILHO SEDUZIU O MEU OLHAR,
    ME FEZ ENCONTRAR
    A ESTRADA DO SONHO,
    "REAL" DESEJO DE PODER E AMBIÇÃO.
    AS TRILHAS, BORDADAS EM OURO,
    LEVARAM TESOUROS, A CAMINHO DO MAR. (TEU CHÃO)
    TEU CHÃO É UM RETRATO DA HISTÓRIA
    E O TEMPO NÃO PÔDE APAGAR
    HOJE DESCUBRO A BELEZA
    QUE FAZ A RIQUEZA VOLTAR.

    POR BELOS RECANTOS PASSEI,
    DAS SUAS ÁGUAS PROVEI,
    DE MANSINHO EU PEÇO PASSAGEM,
    A MANGUEIRA VAI SEGUIR VIAGEM.

    QUE TEMPERO BOM...
    PODE AVISAR QUE A COMIDA ESTÁ NA MESA.
    SE A PINGA NÃO "PEGAR"
    EU CHEGO AO RIO COM CERTEZA.
    NA ARTE, EU VI OBRAS QUE O GÊNIO ESCULPIU,
    IGREJAS, O BARROCO EMOLDURA O BRASIL,
    Ó MINAS,
    ÉS UM BERÇO DE CULTURA, ÉS RAIZ,
    QUE BRILHA FORTE EM VERDE E ROSA,
    HERANÇA E PATRIMÔNIO DE UM PAÍS.

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  8. hoje se buscar caminhar por Minas encontrará defesas como essa: mire e veja - " A Estrada Real foi sendo construída nos muitos anos de idas e vindas, das Minas ao litoral, desde o século XVII, em busca das riquezas. Caminhar pela Estrada Real é reviver os passos e os caminhos percorridos pelos escravos, pelo ouro e pela história. Constituída, ainda, pelas vias de acesso, os pontos de parada, as cidades e vilas históricas que se formaram durante o passar dos homens e do tempo, prega o " http://www.estradareal.org.br/estra_real/index.asp "

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  9. Em 10 de janeiro de 2005, começamos a caminhar em direção a Santa Luzia, que ocupou e lugar de Belo Horizonte, no fim do percurso. O entusiasmo era contagiante. Partimos da cozinha do Hotel Murungu. Isso era 5:40horas da manhã. O primeiro passo dado foi em direção à rapadura, alimento sagrado do interior. O doce colonial. Estar dentro do Hotel era habitar uma “árvore do mulungu: conhecida por dois nomes botânicos: Erythrina mulungu e Erythrina verna. É uma árvore muito bonita, as suas flores têm uma cor parecida com a do coral laranja. A mulungu é conhecida como uma das mais poderosas plantas de crescimento expontâneo”. Além disso, ouvi dizer que o “Murungu pode influenciar positivamente a regulação dos ritmos cardíacos.” Sendo assim estávamos protegidos por uma potência, diria, sagrada. “Saímos de dentro para árvore para dentro do Espinhaço.” Enquanto isso, Afrânio destampava seu saco de ‘casos’, reunidos nos últimos 40 anos.
    Andar a pé por Minas é exercitar uma experiência nas terras habitadas por gado. Somos, sem dúvida, um ‘estado’ das pastagens. Logo, as 10h15minH, fizemos nossa primeira parada nos arredores dos Engenhos seguidos de Bilia. Busquei na net o significado de Bilia e que encontrei foi, talvez, saboroso, veja: “Apesar de ter se tornado famoso só na década de 1950, [Tio] Bilia já animava os bailes do interior há muito tempo, pois tocava em bailes desde os quatorze anos de idade.” Isso deu a caminhada um gosto de baile de iniciação como caminhante, presumo.

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  10. Adorei tenho vontade de fazer essas aventuras.....

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  11. "Ritmo de Calmaria"

    Congonhas do Norte é uma cidade que tem seu charme e seu trauma na sua incapacidade de crescer. Seu ser rural mantem-se forte mesmo no século XXI. Um problema antigo dessa população é sua impéricia de tratar sua água. Então, podemos notar uma população com certo risco de crise na saúde.
    Quanto ao seu aparecimento na história podemos dizer que: "A região passou a ser ocupada entre 1711 e 1715, por um grupo formado por bandeirantes liderado por Fernão Dias Paes Leme que tinha a finalidade de auxiliar Borba Gato[5] Em uma serra com abundância do arbusto congonhas, próxima de um local conehcido como Serra da Lapa, foi encontrado ouro. Por isso, o primeiro topônimo foi chamado de Congonhas de Cima da Serra da Lapa[5]. Até 1962, o local esteve ligado a Conceição do Mato Dentro."

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  12. COSTA SENA: 'Nas Costas do Espinhaço'
    Após quase 6 horas de caminhada se avista uma Igreja no alto. Para quem vai de Tombaduouro no sentido de Congonhas, essa é uma imagem referência e típica desses caminhos. Refiro-me a Costa Sena. Cultura comunitária em que o futuro só serve se parecer com o passado. Aqui, um ‘ovo frito com farinha’ sai na hora; e vem tudo do quintal. Aqui a vida funciona auto-sustentável. Uma antiga vila, no topo, mas aquática. Misturada ao curso do rio. Para ir de um lado a outro da quase-cidade pode-se escolher atravessar a ponte e ver a água correndo para algum lugar. Para o ‘costa-senence’ o raio do olhar só atinge um ponto: as costas robustadas do Espinhaço; combinando a rota do sol com o rumo da Mata do Capão. As maiores visões da cultura estão na torre da Igreja, onde largas paredes e detalhadas janelas insinuam que aquele é um povo de fé. O gado aqui é anfitrião e dono dos bicos de grama presentes em todo curso central, em meio às casas e espaços vagos. Diz-se que no passado essa era uma terra de furiosos pequenos donos de terras. Gatos na arte de persuadir os pequenos proprietários e agregados.
    Há indícios que essa comunidade tenha inspirado seu nome no seguinte personagem: “Joaquim Cândido da Costa Sena (Conceição do Mato Dentro, 13 de agosto de 1852 — Belo Horizonte, 26 de junho de 1919) foi um geólogo e político brasileiro. Tornou-se presidente do estado de Minas Gerais em 21 de fevereiro de 1902 em razão da morte de seu antecessor Silviano Brandão, permanecendo no cargo até 7 de setembro do mesmo ano. Antes disso, fizera parte do Senado de Minas Gerais”.
    Claro que muitas são as versões para explicar essa copiosa miniatura colonial. Se diz que “ Costa Sena nasceu na antiga Conceição do Serro, atual município de Conceição do Mato Dentro. Na cidade de Ouro Preto graduou-se em Engenharia de Minas no ano de 1880 pela Escola de Minas, onde foi professor e exerceu os cargos de secretário e diretor, função que ainda desempenhava quando de sua morte. Representou Minas Gerais em eventos científicos internacionais no Chile e na Europa. Além de agraciado com inúmeras honrarias, Costa Sena foi e membro de várias instituições científicas e culturais, como a Sociedade de Mineralogia de Paris, a Sociedade Imperial de Mineralogia de São Petersburgo, a Sociedade Geológica de Paris e a Sociedade de Geologia de Berlim. Costa Sena foi também membro da Academia Mineira de Letras.”
    Outra forma de vermos essa localidade é pensar na sua deslocada distância no colo da Montanha, onde as ondas de sol varrem as fachadas dos casarões após as 17 horas. Diz-se ainda que: “São Francisco de Paraúna era o primitivo nome da atual localidade de Costa Sena, cujo surgimento se deu no início do século XVIII. Seus fundadores foram atraídos pela ocorrência de ouro no rio Paraúna e pequenos afluentes, mas o arraial experimento maior florescimento depois da descoberta de diamantes nas redondezas e a instalação no local de um quartel e postos de vigia para combate ao contrabando. O mais antigo documento sobre a existência do povoado talvez seja um quadro de ex-voto, datado de 27 de julho de 1715, em que Luiz Antônio Gonçalves Leitão agradecia a São Vicente Ferrer o milagre de salvá-lo de um atentado à morte.
    O atual distrito de Costa Sena possui um pequeno aglomerado urbano que pouco se alterou desde o início do seu povoamento. Composto por uma população de costumes simples e arraigadas tradições, destaca-se o espírito religioso manifestadas em festas como as de Nossa Senhora da Conceição e o Jubileu de São Francisco.
    A atual denominação de distrito lhe foi conferido em 17 de dezembro de 1938.”
    Destas versões prefiro aquela que invento após essas informações, pois o que vale a cena-da-memória-criada.

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  13. 'Tombadouro’
    Os dois primeiros lugarejos que atravessamos foi para chegar em ‘Vargem do Basso’, ( não tenho certeza se é assim que se escreve). Sei que nesse lugar tomei um banho de rio daqueles de criança, pouco mais de 9horas da manhã. Essa vileta se caracteriza por um ‘boneco-de-beira-de-estrada’, núcleo certo nessas ermas estradas desabitadas dos cantos das Minas Gerais.
    A memória lembra que perto dali estava Tombaduouro: “esse distrito foi fundado por volta de 1833, em função da descoberta da lavra diamantífera de Pratinha e que originou as primeiras choupanas na margem esquerda do córrego São João, no alto de uma chapada, na antiga propriedade do comendador João Fernandes de Oliveira e de Ana Pinto de Andrade.
    Dizem também que no século XIX, período após o Brasil ter ganhado seu Rei que: “em 1861, o antigo arraial da chapada foi elevado a distrito, por lei nº 1103, de 16 de setembro, e, nove anos depois, à condição de freguesia, passando então a ser denominado São João da Chapada. Segundo consta em texto publicado na Revista do Arquivo Público Mineiro, em 1899, o arraial possuía, naquele ano, 150 casas térreas, dividindo-se em três ruas longitudinais, duas transversais ao entrar, uma sinuosa ao sair, alguns becos, uma praça e uma igreja. Pertence ao distrito um pequeno povoado, também chamado Chapada, cuja origem remonta ao início do século 18, pois consta do Mapa da Demarcação Diamantina, datado de 1750.”
    Ao que, digo a vocês: ‘ esse lugar parece um entroncamento onde as a alegria da caminhada é hidratada com ‘água-fresca-de-boteco.’

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  14. Oi Afrânio, vcs são demais.... foi legal rever fotos do "Juninho Cebola" quanta saudade... outro dia mesmo falamos sobre ele aqui em casa.
    Um enorme abraço e que vcs continuem sempre com essa garra e disposição.
    Saudades

    Tereza Raquel

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  15. SOBRE CONCEIÇÃO
    O turismo, conceito que se populariza entre nós a cada dia era, num passado muito recente, uma palavra 'infalda'.Contudo, Conceição do Mato Dentro, de forma quase espontânea, praticava esse vocábulo, especialmente, em razão da religiosidade que carrega na sua trajetória. Parece que marchar mata adentro para orar se caracteriza como um dado da vida do espírito do e homem do espinhaço.
    Dito isso: "Foi em 1701 que um grupo de bandeirantes liderados pelo coronel Antônio Soares Ferreira, partindo de Sabará, atingiu a região conhecida como Ivituruí ou Serro Fino. O lugar já era habitado pelos índios botocudos. Os sertanistas Gaspar Soares, Manoel Corrêa de Paiva e Gabriel Ponce de Leon partiram da Vila do Príncipe (atual Serro) seguindo rumo ao sul. Em 1702, esse último, admirado com as riquezas da região decidiu erguer uma pequena capela de pau-a-pique em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, dando também origem ao nome da cidade. A imagem de madeira da virgem chegou em 1703, vinda da cidade de Itu, no interior paulista. O ouro, descoberto sobre as margens do ribeirão Santo Antônio e seus afluentes deu origem ao povoamento do município.
    A primeira caravana foi formada ao longo do percurso dos arraiais de Tapera, Córregos e Conceição. Assim, imigrantes em busca de ouro chegavam constantemente e o arraial logo floresceu. Após o término das lavras, a região passou a ser caracterizada por uma agricultura de subsistência e uma pecuária extensiva. Em 1752, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição tornou-se paróquia autônoma. Até 1840, a igreja esteve como parte do município de Serro." http://www.desvendar.com/cidades/conceicaodomatodentro/default.asp

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  16. Um grande desafio e uma enorme aventura realizada com grande sucesso!!!
    Parabens pelo empenho e dedicação.
    Poucos chegam até o final.

    Abraço aos aventureiros!

    Silvane

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  17. Em busca da pedra lascada...
    Dizem que “O território do atual município de Passa Quatro, segundo interpretações historiográficas, foi percorrido por expedições portuguesas de reconhecimento, ainda no primeiro século de colonização. Alguns consideram que membros da armada de Martim Afonso de Souza estiveram na região, em 1531. Outra entrada apontada é a de Martim Correia de Sá que – seguindo ordens do governador geral do Brasil D. Francisco de Sousa para encontrar a lendária serra do Sabarabuçu – explorou suas terras, em 1596. No decorrer do século XVII, o bandeirismo paulista se intensificou nas terras além da serra da Mantiqueira. A Garganta do Embaú, situada neste limite geográfico – hoje fronteira natural entre os estados de Minas Gerais e São Paulo e parte da divisa de Passa Quatro –, representou então o principal acesso à região sul mineira.
    Embora seja difícil apontar o primeiro a fazer o caminho, a bandeira comandada, em 1674, por Fernão Dias Paes Lemes, o famoso caçador de esmeraldas, é um marco desta fase, sendo lembrada por todos que se referem à história regional.
    A partir da descoberta de ouro em grande quantidade no interior do território mineiro, na virada do século XVII para o século XVIII, a localidade tornou-se parte da principal rota oficial de ligação entre as vilas do Rio de Janeiro e de São Paulo para os núcleos mineradores, que seria mais tarde chamada de Caminho Velho. Nesta época, já era utilizado o topônimo Passa Quatro devido ao fato da estrada ali cruzar quatro vezes o rio local, que recebeu a mesma denominação.” http://www.passaquatro.com.br/historia.html

    Por isso.... Continuamos pensando que caminhar é uma forma de nos colocar em contato com nossa raiz pré-babilônica. Ou melhor, voltamos a nos expressar - física e mentalmente - quase à maneira dos caçadores-coletores dos capítulos dos livros de história, quando dizem sobre os pré-históricos. Isso porque tornamo-nos nesses dias nômades mal-cheirosos, e famintos excitados... E Felizes pela liberdade criada na falta de repetição que nos impõe hoje o cotidiano-moderno. Aqui são apenas Ideias de Um caminhante preguiçoso, talvez um descendente de português-mouro com ameríndio... Aventureiro medroso....

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  18. Helder...como eu te admiro.
    Não foi atoa q resististe a caminhada até o toca dos indios em Itinga, com a turma de História, pólo Araçuaí, lembra?
    Seu preparo fisico é impressionante, alías não só fisico né, como a Silvane disse acima: "Poucos chegam até o final"
    Saudades de vc e PARABÈNS pela iniciativa. Não concordo com o termo "Aventureiro Medroso", prefiro a substituição para aventureiros corajosos.
    Grande Abraço
    Lucilene Martins
    Ex aluna de História - pólo Araçuaí

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  19. Indo na vertente da bandeira...
    Atualmente é comum falar que a vida como elemento da internet pode ser perigoso. Sobretudo porque nos tornamos personagens-virtuais-reais que podem ser observados e, por isso mesmo, colocam-se em risco. Risco voluntário, claro. Aqui o risco não é só o da net, mas o da natureza viva, e de nossa fraqueza pobre. Andar e depois contar parece algo banal, afinal quase todos caminhamos quilômetros diariamente no trabalho, por exemplo. Porém, nesse caso, o que está em jogo é um velho arquétipo do homem - brasil, ou seja, o 'aventureiro', palavra sagrada a Sérgio Buarque de Holanda, sábio pensador da cultura brasileira. Andar atropelando fronteiras e sendo aceito como estrangeiro suado, é um sabor de colonizador tendo a visão do paraíso: ou da coluna erótica do Espinhaço, como uma figura-fémea diante de nossas esferas de enxergar. Ando para olhar, olho para sentir, sinto enfim que caminhar é poder ver para depois falar, isto é, um estilo empirismo turístico-ecobarroco-mineiro. "Mire e veja....o sol entrado, muito longe, fique espreitando a revista da estrela na sobra da noite.."

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  20. Hoje ao ver fotos de caminhadas doi-me o tédio de não poder fazer isso semanalmente. Fato esse que confirma nossa visão urbano-moderna, preso a pseudo-felicidade do micho-salário. Somos sedentário de um mundo mal alimentado e cujo músculos se atrofiam diante do faustão, na falsa fé que se descansa no domingo...

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  22. Rondando a serra no rumo sualpino-minas: mantiqueira..

    Este corpo de imagens, coloridas, cortadas, re-fabricadas, utiliza a experiência real para se produzir: editar. O corpo da imagem é muito eficaz no contato com nossas espectitaivas:sonhar. O corpo da imagem não é verdadeiro, é uma criação daquilo que nossos olham consumiram ao longo da lista da estrada: real.

    Portanto, o corpo e a imagem são partes de um todo que faz da realidade ficção-real. Isso se refere tanto a nossa memória-fotográfica, como a nossa sensação de ter estado ali: ouro preto.

    O nosso velho desejo [de voar] se dilui em nossa dores de joelho e em nossos risos de chegada: Santa Luzia.

    Logo, nosso espírito se acumula em nossas suadas etapas: passa quatro..e nossa visão-de-nós, de tão clara, nos ofusca saber onde vamos: parati.

    15 de outubro de 2010 18:45

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  23. Ensaio sobre a estrada

    A conjunção do caminho e do garimpo gerou a mineração real: século XVII.

    Assim como o gado, o homem mestiço rumou em busca de pasto preciso: ouro fino.

    Mineiro: vida e elemento constituinte de uma raça de montanha.

    É nesse peculiar espírito que fomos comidos pela culinária de Costa Sena.

    Poucas horas dali, Congonhas: batizada no meio da água, entremesclou morro e brecho e se derreteu no vale...

    Ser observada por Santa'na tornou Congonhas caminhada humilde e de povo simples: maltratado.

    Após o emancipar de Congonhas, nasce o congonhece, espírito que desfruta a paisagem desgastada pela cinza de agosto.

    Rodeada pelo Mato Dentro, Congonhas preserva um contexto colorido de pássaros desaparecidos, de espingardas escondidas, de políticos-cangaceiros...Uma singeleza da tradição alterosa...

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  26. Pois não foi morro redondo?

    Em princípio escapar, fugir, dliblar a curva gerou a perda da rota.

    A salvação é seguir a estrada de carro, abandonar os 'totens': marcos de cimento típicos.

    A redenção é que a estrada de carro segue, re-faz, rodeia, inveja o caminho real e leva a santo antónio do leite.

    Na eternidade do percurso noturno pintado de chuva aparece Santa Rita'durão.

    Enfim o Caraça: esplendor que está colado no coração da floresta. A palavra lobo rende ao Caraça -hoje- turismo. Ontem a renda vinha, ao monumento, da educação-para-a-política.

    15 de outubro de 2010 19:33

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  27. Sagradas Imagens

    Deuses de pedra sabão enfeitam Congonhas de Campo. Os gloriosos exemplares da cultura barroca vivem o adro da igreja, trepados nos muros, misturados nas paredes.

    Dentro dos muros da matriz, capelas, pode-se-dizer lares de esculturas de madeira, anjos, santos: preciosidades da reforma católica-mestiça: alejadinha...

    As peças de arte sacra viram passar na sua frente, diante de seus olhos, séculos e turistas deseducados, políticos demagogos, e empresários feitores.

    Prestando atenção nas casas ao lado, os profetas, especialemente a noite, tagarelam-se com risadinhas irônicas.

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  28. Olá Afranio
    As belas paisagens ao longo da Estrada Real nos dão a certeza que fizemos uma ótima opção ao escolhermos nos aventurar por ela

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  29. viajei com vcs através da narrativa. Que viajem!!!!!

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